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Segundo prefeitura, carnaval movimentou mais de R$ 500 milhões em BH

 
Léo Rodrigues | 03/03/2017 - 18:57 Notícia publicada pelo Agência Brasil

Os valores foram calculados levando em conta a despesa média diária dos foliões, mas ainda sem considerar os gastos com hospedagem e transporte.

O carnaval de Belo Horizonte movimentou pelo menos R$ 514 milhões, segundo divulgou hoje (3) a Empresa Municipal de Turismo (Belotur). Os valores foram calculados levando em conta a despesa média diária dos foliões, mas ainda sem considerar os gastos com hospedagem e transporte. Por esta razão, Aluizer Malab, presidente da Belotur, acredita que levantamento mais detalhado poderá apontar movimentação ao redor de R$ 1 bilhão.

Segundo a Associação Brasileira de Indústrias e Hotéis de Minas Gerais (Abih-MG), a ocupação da rede hoteleira atingiu 60%. No carnaval de 2016, o índice ficou em aproximadamente 40%. Já a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) estimou que, neste ano, os estabelecimentos tiveram aumento entre 10% e 20% no número de clientes. Os dados foram apresentados hoje (3) durante coletiva na prefeitura de Belo Horizonte, que teve a presença do prefeito Alexandre Kalil.

Na quarta-feira (1º), a Belotur já havia divulgado um primeiro balanço, no qual registrou a presença de 3 milhões de foliões, confirmando ter sido o maior carnaval da história da capital mineira. A festa vem ganhando novas dimensões desde que os blocos de rua começaram a ressurgir, em 2009 e 2010, de acordo com a Belotur, que fez contabilidade diária do carnaval. Ou seja, se uma pessoa foi às ruas em quatro dias distintos, foi considerada como quatro foliões.

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  • Segundo Alexandre Kalil, Belo Horizonte deu o maior salto do carnaval no Brasil. "Temos que avaliar não em comparação com lugares que têm tradicionalmente grandes carnavais, como Rio de Janeiro e Salvador. Mas a cidade foi transformada. Alguns anos atrás você podia andar nu na Avenida Afonso Pena que ninguém ia te ver. Agora tivemos 3 milhões de foliões", disse.

    O prefeito ainda destacou a importância para o comércio da cidade. "Antes, o comerciante, triste, não vendia e não faturava. A padaria, a loja e o restaurante ficaram cheios. Eu fui almoçar com minha família e o dono do restaurante, que é meu amigo, disse que pela primeira vez, em 25 anos, abriu seu estabelecimento na Quarta-Feira de Cinzas", contou.

    Limpeza e segurança

    Kalil e Aluizer Malab destacaram a importância do trabalho integrado dos órgãos municipais envolvidos no carnaval, mas fizeram menção especial ao Serviço de Limpeza Urbana (SLU). "A cidade não ficou com cheiro ruim, não tinha lixo. Amanhecia o dia seguinte e nem parecia que tinha tido carnaval", disse o presidente da Belotur. A SLU contou com uma equipe de 600 garis, que recolheram 840 toneladas de lixo nos quatro dias de folia.

    Aluzier Malab reconheceu problemas com os banheiros químicos, uma das principais queixas dos foliões. Pessoas que estiveram nos blocos Baião de Rua e Havayanas Usadas, por exemplo, questionaram a ausência das instalações. Ao todo, a Belotur contratou 10 mil banheiros para atender o público. "Tivemos um número maior de foliões do que esperávamos, mas ainda assim a quantidade atenderia. Eu assumo que tivemos problemas pontuais. Um dos fornecedores nos deixou na mão. E nós nos desdobramos. Às vezes o banheiro chegou um pouco atrasado, pela questão da logística, da higienização. Mas foram problemas pontuais", segundo ele.

    Os dados relacionados a segurança, que já haviam sido divulgados pela Polícia Militar ontem (2), foram novamente reapresentados. Em comparação com o carnaval de 2016, houve redução de 43% na criminalidade violenta: de 874, no carnaval de 2016, para 499. Os roubos também caíram: de 825 para 481.

    O secretário municipal de Segurança Pública e Prevenção, Cláudio Beato, destacou a contribuição da sociedade. "Tivemos apenas uma ocorrência mais notável de crime de gênero, e o acusado está tendo que se explicar hoje na delegacia. O trabalho das forças de segurança foi muito positivo. Mas não foi só ele. A sociedade também estava mobilizada e preparada para lidar com esse tipo de ocorrência", disse.

    Ele se referia ao caso em que uma mulher foi assediada e recebeu uma cabeçada no nariz. A vítima e testemunhas reconheceram e identificaram o agressor em fotos nas redes sociais. O combate ao assédio havia sido tema de uma campanha e uma marchinha lançada por foliãs de Belo Horizonte.

    Com o ferimento no nariz, a mulher precisou ir a uma unidade hospitalar, sendo uma das 349 pessoas atendidas durante o carnaval da capital mineira. Nenhum dos casos, porém, foi considerado grave.

     

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    Léo Rodrigues

    Repórter da Agência Brasil, formado em Comunicação Social pela UFMG em 2010. Ex-jornalista da TV Brasil e do Portal EBC, onde também atuou como editor de esportes. Diretor de documentários cujo foco de interesse é a cultura popular, entre eles os longas "Aboiador de Violas" e "Pra fazer carnaval mais uma vez". Saiba mais

     

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