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Copa de 50: a política carioca, a construção do Maracanã e o clima carnavalesco

 
Produção: Léo Rodrigues / Reportagem: Paula Ottoni | 11/06/2014
* Edição: Rafael Arcanjo
Notícia veiculada pela TV Brasil / Repórter Brasil

A mistura de carnaval e futebol produziu, no Rio de Janeiro, um terreno fértil para que a Copa de 1950 se tornasse um espaço para celebração. Mas a festa teve custo econômico e político.

Maracanã em construção, às vésperas da Copa de 1950

Maracanã em construção | Foto: Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro

13 de julho 1950. O Brasil goleava a Espanha por 6 a 1 no Maracanã lotado e ficava a uma partida do título mundial. A torcida eufórica, numa provocação ao adversário, passou a entoar a marchinha Touradas de Madri, uma famosa composição de Braguinha que fazia sucesso naquela época. O episódio é um retrato do ambiente cultural do Rio de Janeiro naquele período: futebol, música e carnaval. Os sambas e marchinhas ditavam o ritmo das festas cariocas, que ainda estava para ver o despertar da Bossa Nova. O futebol era impulsionado pela rivalidade dos clubes locais. O último campeonato estadual, em 1949, havia sido vencido pelo Vasco e contou com a participação dos tradicionais Botafogo, Fluminense, Flamengo, América, Bangu, Madureira, entre outros.

Toda essa cultura de futebol e música foi um terreno fértil para que a Copa de 1950 se tornasse um espaço para celebração. Mas a festa teve custo econômico e político, embora financeiramente com valores modestos se comparados aos investimentos atuais. Segundo o jornalista Diego Salgado, um dos autores do livro 1950: o preço de uma copa, a Copa de 1950 custou ao Brasil cerca de R$ 437,5 milhões.

Se o volume da movimentação financeira não se assemelha à Copa de 2014, há outro elementos bem similares: os atrasos nas obras e o lobby político. Naquela época, a Fifa não exigia melhorias de transporte, aeroportos, hospitais, etc. O único pedido eram estádios aptos a receberem os jogos.

O Maracanã foi inaugurado a apenas sete dias da abertura do mundial, numa partida entre as seleções carioca e paulista. Nesse primeiro confronto no estádio, ainda era possível ver os andaimes nas arquibancadas, os quais impediam a lotação máxima de 155 mil pessoas. A localização do maracanã também foi centro de disputa política. A decisão foi do prefeito à época, Mendes de Morais. Mas ele precisou enfrentar a mobilização de seu opositor Carlos Lacerda, que tentou manobrar com políticos influentes para levar o estádio para Jacarepaguá, onde ele tinha uma forte base eleitoral.

Outro ponto comum entre 1950 e 2014 são as remoções para obras da copa. O Maracanã levou à demolição das casas de algumas famílias. Mais tarde, apareceu uma favela ao lado do estádio, a "Favela do Esqueleto", que não existe mais porque foi removida no governo do Carlos Lacerda em 1960. Os então moradores foram levados para outras comunidades como a Cidade de Deus e a Vila Kennedy.

- Confira a matéria da TV Brasil, com produção de Léo Rodrigues e reportagem de Paula Ottoni:

 

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Léo Rodrigues

Repórter da Agência Brasil, formado em Comunicação Social pela UFMG em 2010. Ex-jornalista da TV Brasil e do Portal EBC, onde também atuou como editor de esportes. Diretor de documentários cujo foco de interesse é a cultura popular, entre eles os longas "Aboiador de Violas" e "Pra fazer carnaval mais uma vez". Saiba mais

 

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