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PROPOSTA DO BLOG


Convencionou-se chamar de ética jornalística um conjunto de práticas que em tese garantiriam a isenção do profissional. Dela fazem parte a premissa de se ouvir todos os lados envolvidos na questão, a hierarquização da notícia com origem no lead e nas cinco respostas capitais - o que, quando, como, onde e por quê -, a checagem das informações com mais de uma fonte, o veto ao uso de adjetivos e advérbios que denotam claro juízo de valor, etc. O rigor a alguns desses procedimentos é questionável e está longe de permitir que se configure a almejada objetividade. Jornalismo é um exercício de escolhas e escolhas pressupõem subjetividade.

A ordem das informações, o título da matéria, o destaque à determinada fonte, a foto que irá complementar o texto são todos elementos escolhidos no exercício profissional e não há uma regra definitiva sobre a forma como estas tarefas devem ser realizadas. O que significa que um jornalista jamais escreve sobre um assunto da mesma forma que outro. E se não é igual é porque cada um fez opções diferentes.

A ética jornalística não pode ser encarada, portanto, como um conjunto de orientações profissionais voltadas para se alcançar a inalcançável isenção. Deve ser antes de tudo a sistematização de procedimentos que criam um ambiente no qual se valorize uma minuciosa apuração e um justo tratamento da questão que dê ouvidos a todos os atores, embora o jornalista fatalmente irá assumir uma versão como sendo a quem tem mais afinidade. Isso se faz no titulo, na hierarquização das informações que julga mais importante, na ordem em que as aspas vão aparecer e inclusive na escolha das fontes. Na TV, até o posicionamento da câmera e o enquadramento das imagens escolhidas irão fortalecer um ponto de vista em detrimento de outros.

Seguindo essa lógica, o cuidado prévio de checagem e a apresentação de todos os pontos de vistas de um acontecimento é sim um dever do jornalista. Mas ao contrário do que se ouve no senso comum, deixar o texto fluir de forma a manifestar sua afinidade com um dos pontos de vista apresentados não pode ser uma restrição profissional. De fato, essa inclinação do texto acontece sempre naturalmente e negá-la é enganar o leitor.

Relembro aqui o apontamento crítico um dia apontado pelo professor de comunicação Adelmo Genro Filho, defensor ferrenho de uma mudança nos rumos da prática jornalística. Para ele, a obsessão pela objetividade plena nos cria uma sensação de IMPOTÊNCIA humana frente a sua subjetividade. A abordagem deve mudar no sentido de perceber a impossibilidade da isenção como um sinal da POTÊNCIA subjetiva do homem diante da objetividade.

O blog A Lupa surge dessa reflexão. Para onde apontar a lupa? De que ângulo posicionaremos a lupa? Observaremos um determinado acontecimento privilegiando a versão oficial ou buscando compreender a versão dos demais envolvidos? Alimentaremos a ideia de que um texto não tem lado? Este é um debate fundamental do jornalismo contemporâneo, sobretudo a partir do momento em que a tecnologia oferece uma gama imensa de dados para os quais é preciso olhar e desconfiar. A linha editorial deste blog não compactua com as injustiças sociais, a homogeneização cultural, a elitização do esporte e tais posicionamentos obviamente irão interferir na escolha das pautas e nos complexos processos de produção destas.

O editor Léo Rodrigues também pretende fazer deste espaço um portfólio de seu trabalho profissional, concentrando tudo o que já publicou e publica nos veículos onde trabalha. Mas também será um ambiente para se propor novas coberturas e reflexões.

Focos

O foco de observação do blog A Lupa se dirige para a sociedade, a construção da democracia e a cultura popular, na qual podemos englobar ainda a comunicação e o esporte. Sociedade se faz com pessoas, pessoas definem códigos que se misturam numa cultura e empoderar esta cultura popular é construir a democracia.

Os estudos de comunicação caminham cada vez mais aliados aos estudos da cultura. Desde que se edificaram os chamados “Estudos Culturais” em meados da década de 1960, coordenados pelo jamaicano Stuart Hall na Universidade de Birmingham, a cultura passou a ser vista como as manifestações diárias dos indivíduos (como se vestem, se comportam, se ritualizam, etc) permeadas por valores que se chocam na sociedade. O homem é um ser cultural. É, portanto, um ser que se comunica o tempo inteiro através de códigos como a linguagem, a moda, o vestuário, os gestos, etc. Uma pessoa que vive num determinado ambiente cultural compartilha códigos que talvez não sejam compreendidas por uma pessoa que viva em outro ambiente cultural.

No entanto, estes códigos não estão estagnados no tempo. Ao contrário, estão em constante mutação, são construídos, são frutos do embate de valores e podem, por exemplo, trazer arraigados em si a percepção ou não de problemas sociais como o preconceito, a desigualdade, o racismo, a xenofobia, o machismo, a homofobia, etc. É por isso que discutir cultura é discutir estes códigos que são permanentemente comunicados pelas seres culturais. Por isso, discutir comunicação e, sobretudo, discutir a mídia e seus códigos, é também discutir a nossa cultura e, consequentemente discutir a construção de uma sociedade democrática.

Mas o que o esporte tem a ver com isso tudo? Como um interessado na cultura popular, o editor Léo Rodrigues é também um aficionado por esporte. Afinal, quer um elemento mais simbólico da cultura popular brasileira do que o futebol? Não se trata aqui de se preocupar com o factual, o dia-a-dia de clubes e campeonatos, mas sim levantar uma cobertura crítica sobre o aspecto cultural do nosso esporte e os rumos que ele vem tomando. Na arena esportiva, transitam todos os códigos da nossa cultura, do machismo e homofobia à solidariedade social, do preconceito ao pobre à superação desse mesmo pobre. É, portanto, um terreno de contradições. Quer um exemplo? A Europa é, cada vez mais, o continente com maior direcionamento de recursos financeiros para o futebol, mas o Brasil continua fabricando seus craques. Uma amostra de que só dinheiro não se faz futebol. O componente cultural é vital.

 

 

O EDITOR


Léo Rodrigues

Repórter da Agência Brasil, formado em Comunicação Social pela UFMG em 2010. Ex-jornalista da TV Brasil e do Portal EBC, onde também atuou como editor de esportes. Diretor de documentários cujo foco de interesse é a cultura popular, entre eles os longas "Aboiador de Violas" e "Pra fazer carnaval mais uma vez". Saiba mais

 

O BLOG


O trabalho do jornalista nunca é isento. Trata-se de um exercício constante de escolhas. Para onde apontar a lupa? De que ângulo posicionaremos a lupa? Este espaço surge a partir do interesse do editor em concentrar o seu acervo de produções jornalísticas e, ao mesmo tempo, propor coberturas e reflexões sobre comunicação, sociedade, cultura e esporte. Entenda melhor a proposta

 

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